Estreará em breve o primeiro filme sobre as aparições de Garabandal que ocorreram entre 1961 e 1965. Muitos fiéis estão entusiasmados pois, nele, de forma muito respeitosa, se dão a conhecer umas aparições e mensagens de enorme atualidade que já tocaram muitos corações.Estreará em breve o primeiro filme sobre as aparições de Garabandal que ocorreram entre 1961 e 1965. Muitos fiéis estão entusiasmados pois, nele, de forma muito respeitosa, se dão a conhecer umas aparições e mensagens de enorme atualidade que já tocaram muitos corações.

Os Bispos de Santander  que se pronunciaram sobre essas mensagens, unanimemente, assinalaram sempre que os conteúdos das mesmas são ortodoxos e louváveis (Mons. Beitia em 1965, Mons. Cirarda em 1970, Mons. Del Val em 2000 e Mons. Osoro em 2007 (1). Apesar disso, as aparições ainda não estão aprovadas, embora tampouco tenham sido rechaçadas. O atual Bispo da Diocese firmou em 24 de junho de 2015 o pronunciamento mais recente, declarando que NON CONSTAT a sobrenaturalidade dos eventos. 

NON CONSTAT significa que a Igreja espera novos dados para pronunciar-se, como por exemplo, abundantes frutos nas almas: a Igreja espera. Porém, recentemente, um sacerdote acusou alguns fiéis por difundir o filme, afirmando categoricamente que para ele NON CONSTAT significa que “não há nada sobrenatural, razão pela qual o caso está encerrado em sentido contrário”. Graças a Deus esse sacerdote se equivoca completamente. 


Em 1978, a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) incluiu a expressão NON CONSTAT em suas Normas sobre o modo de proceder no discernimento sobre supostas aparições e revelações. Em 2011, o Cardeal Levada publicou essas normas. O texto completo relativo à expressão NON CONSTAT diz:

“ A mentalidade atual e as exigencias de uma investigação científica crítica fazem mais difícil ou quase impossível emitir com a devida rapidez aquele juízo com o qual no passado se concluíam as investigações sobre essas questões (constat de supernaturalitate, non constat de supernaturalitate: consta a origem sobrenatural, não consta a origem sobrenatural) e que oferecía à Hierarquia a possibilidade de permitir ou proibir o culto público ou outras formas de devoção entre os fiéis”.

Na análise de umas aparições, as opções lógicas são 3: aprovação, condenação ou dúvida. Porém, o texto da CDF somente refere 2: CONSTAT e NON CONSTAT. A Congregação omite a expressão condenatória: CONSTAT DE NON. Com a afirmação acima transcrita, o Cardeal reconhece, com um realismo humilde, que nesses asuntos é fácil equivocar-se. No passado, algunas revelações foram proibidas e em seguida aprovadas: a Divina Misericordia de Santa Faustina Kowalska foi condenada em 1959 (CDF, “Notificação 6.III.1959” em AAS, 25.IV.1959, p. 271), primeiro por seu Ordinário (Superior Eclesiástico local) e após pela CDF; inobstante, esta mesma Congregação aprovou esta devoção (CDF, “Notificação, 15 de abril de 1978” em AAS, 30.VI.1978, p. 350)   

É certo que em casos casos de fraude ou abuso, o Vaticano poderia condenar. Contudo, fora desses casos lamentáveis, o Vaticano prefere não valer-se da condenação para evitar precipitações. O usual, desde 1978, é expressar tão somente CONSTAT ou NON CONSTAT – aprovação ou incerteza.

Apesar disso, esse gesto de prudencia e delicadeza eclesial, é interpretado por algumas pessoas, como o sacerdote que citei antes, como um endurecimento e ao invés de afastar a condenação, pensam que o Vaticano suprimiu a incerteza: pensam que se as opções são (apenas) duas, CONSTAT e NON CONSTAT, significam aprovação e condenação, respectivamente.

Inobstante, a Teologia mais atual é fiel à tradição: a revista da Sociedade Mariológica Espanhola em 2009 e Manfred Hauke em 2015, membro da Pontifícia Academia Mariana Internacional, entre outros, afirmam que, ainda hoje, as opções são 3: “O juízo pode ser CONSTAT de supernaturalitate, CONSTAT DE NON supernaturalitate ou NON CONSTAT de supernaturalitate: se constata o caráter sobrenatural do evento; se rechaça; ou se afirma não poder afirmar a origem divina”. (2) Aprovação, condenação ou dúvida. 

Duas expressões negativas se deve distinguir:

  • A primeira negação é de condenação: CONSTAT DE NON (se constata a NÃO sobrenaturalidade).
  • A segunda expressa dúvida: NON CONSTAT (NÃO se constata a sobrenaturalidade). A expressão NON CONSTAT, “ainda que negativa em sua forma, não expressa senão uma dúvida da Comissão, que não chega a uma conclusão majoritária, o que termina por não esclarecer a situação nem aos fiéis em busca de discernimento. Desta maneira a autoridade diocesana (dito mais claramente) permanece na ambigüidade” (3) 

    Segundo o Magistério e a Teologia, NON CONSTAT significa que a Igreja não condena nem aprova. A questão, portanto, está em aberto para todos os efeitos, e os fiéis podem lá acudir. A Igreja, ao insistir na ortodoxia de Garabandal, não vê nenhum mal, ainda que espere novos dados ou frutos espirituais para aprovar as aparições. 

Em Garabandal chegaram a ser impostas medidas disciplinares proibindo a peregrinação de sacerdotes à aldeia, a partir de 1961 e 1962. Porém, em 1991 e 2007, Mons. Juan A. del Val e Mons. Carlos Osoro rescindiram aquelas proibições, animando os peregrinos a acorrer com fé à aldeia. E os frutos são absolutamente admiráveis.

Assim, enquanto se aguarda que a Igreja ofereça um juízo definitivo, os fiéis já podem acercar-se com devoção a Garabandal. Precisamente na abundancia de frutos espirituais destas peregrinações, a Igreja encontrará o melhor argumento para julgar os fenômenos. Em 2017, a Tese Doutoral do sacerdote José Luis Saavedra, aprovada com a máxima qualificação na Universidade de Navarra (Espanha), refere frutos assombrosos advindos de Garabandal, reais e muito atuais. A Tese pode ser encontrada no endereço eletrônico: evk.es

(1) Cf. MONS. DEL VAL, J. A., “Testemunho audiovisual sobre Garabandal”, em TUBBERTY, M., “Garabandal: The Eyewitness” (“Garabandal: As Testemunhas Visuais), Auckland 1996 (audiovisual)
(2) HAUKE, M., Introdução à Mariologia, BAC: Madrid 2015, 262.
(3) GUTIÉRREZ GONZÁLEZ, J., “As Aparições da Virgem Maria”, o. c. em nota 4, 428.

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